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29-04-2019

Todos temos carências de vitamina B12? As razões de uma penúria em massa e respectivas consequências

vitamina B12 Sente-se frequentemente cansado(a)? Tem a impressão de ter falta de energia e de ser facilmente irritável apesar de fazer uma alimentação equilibrada? É muito possível que faça parte desta parte crescente da população que tem falta de vitamina B121. E as causas desta carência generalizada não incitam ao optimismo: daqui a 30 anos, uma em cada duas pessoas poderá ser afectada, com consequências para a saúde tão assustadoras como imprevistas.
Voltamos às 3 principais causas desta epidemia inquietante.

Os aportes em vitamina B12 não são como antigamente

Contrariamente a inúmeras outras vitaminas, a vitamina B12 está disponível apenas em muito poucos alimentos, essencialmente produtos de origem animal como a carne, o peixe, os produtos lácteos ou os ovos. Durante muito tempo acreditou-se que alguns vegetais ou cogumelos continham vitamina B12, mas hoje em dia sabe-se que se trata de substâncias análogas cuja biodisponibilidade é inexistente e que podem até atrasar a assimilação da verdadeira vitamina2.
Mas esta raridade explica-se perfeitamente na natureza.
Os animais produzem todos vitamina B12 por meio de bactérias presentes no seu intestino e o ser humano não é excepção. Infelizmente, para a maior parte deles, esta produção faz-se tardiamente no tracto intestinal, a jusante da zona de assimilação situada na parte baixa do intestino delgado, fazendo com que as vitaminas não possam ser utilizadas e sejam evacuadas nos excrementos.

Por isso, os animais desenvolveram várias técnicas para assimilar estes preciosos micronutrientes:
  • Albergar as bactérias que os produzem a montante da zona de assimilação, num estômago equipado, como fazem os ruminantes, por exemplo.
  • Ingerir os seus próprios excrementos ou os dos outros, como fazem os pequenos mamíferos insectívoros e muitos roedores (as marmotas, os castores, as lebres e os coelhos, por exemplo).
  • Comer outros animais, nomeadamente as partes que contêm muita vitamina B12 como as miudezas (o fígado, os intestinos) ou alguns dos seus produtos (como os ovos).
  • Ingerir regularmente pequenas quantidades de terra, nomeadamente húmus, que pode conter vestígios de vitamina B12.
E o ser humano em tudo isto? O ser humano é um animal capaz de se adaptar a situações muito variadas no plano alimentar. Adaptou-se a um consumo ocasional de carne, ou seja, a aportes em massa e episódicos de vitamina B12, mas também a aportes mais fracos e contínuos, através do consumo de frutas e legumes. A terra que encontramos na superfície da pele dos legumes crus, como por exemplo das cenouras desenraizadas há pouco tempo, continha antigamente vitamina B12 biodisponível.
O ser humano desenvolveu por conseguinte um sistema que permite assimilar doses fracas de vitamina B12, mantendo a possibilidade de a armazenar para tirar partido dos afluxos em massa e antecipar eventuais períodos de escassez. Problema: um tal sistema não corresponde verdadeiramente ao ambiente no qual evolui actualmente. Na verdade, o ser humano continua a consumir carne, provavelmente em quantidades muito superiores às de antigamente, mas deixou de se expor às doses contínuas de vitamina B12 às quais o corpo humano se adaptou durante milhões de anos. Hoje em dia é inconcebível comer frutas e legumes sem os lavar; os campos cultivados de forma industrial são tratados com pesticidas, herbicidas e insecticidas que não só não permitem que as bactérias que produzem vitamina B12 sobrevivam, como – além disso – prejudicam gravemente a sua saúde. De facto, o ambiente está tão degradado, e conservado de forma tão artificial, que a terra na qual são cultivados os seus alimentos não contém qualquer vitamina B12.

O dispositivo de assimilação da vitamina B12 é atacado por todos os lados

A diminuição dos aportes não é o único factor que permite explicar a carência generalizada. Há qualquer coisa que falha na utilização destas vitaminas.
Quando a vitamina B12 penetra no nosso tracto digestivo, uma maquinaria especializada começa a funcionar para a assimilar e dela tirar benefícios para o organismo. As paredes do estômago fabricam uma proteína de transporte, o “factor intrínseco”, encarregada de acompanhar a vitamina até ao intestino delgado, onde vai poder ser absorvida. Mas este modo de transporte é limitado: quando a quantidade de vitamina B12 por refeição é superior a 1,5 µg os factores intrínsecos ficam todos ocupados e a vitamina B12 escapa aos pontos de controlo. Uma percentagem muito fraca (na ordem de 1%) pode, no entanto, conseguir passar através do intestino delgado sem utilizar o transporte intermediário, o que pode ser útil quando são ingeridas quantidades muito significativas (no caso de consumo de miudezas, por exemplo, ou de suplementos muito concentrados) 3.
Seja como for, este sistema de assimilação da vitamina B12 está em grande perigo na nossa sociedade moderna4. Em primeiro lugar, por causa da Helicobacter pylori, uma bactéria patogénica que coloniza o estômago de uma em cada duas pessoas em todo o mundo. Classificada como cancerígena pelo Centro Internacional de Investigação do Cancro, a bactéria reduz a produção de factores intrínsecos deteriorando a parede gástrica5 e perturbando a acidez do estômago.

Infelizmente, existem outros factores que se sobrepõem a esta infecção generalizada, reduzindo ainda mais a capacidade de produção das proteínas de transporte. O consumo de álcool, muito nocivo para as paredes digestivas e a toma de medicamentos (nomeadamente os que visam combater o refluxo gastroesofágico, o stress, as úlceras, a dispepsia, a diabetes, a hipertensão arterial mas também os tratamentos contraceptivos) são os principais responsáveis. Para cúmulo, as capacidades de produção do factor intrínseco diminuem gradualmente com a idade e é preciso então um verdadeiro milagre para que uma pessoa com mais de 60 anos que não tome suplementos disponha de índices de vitamina B12 6.

As nossas necessidades de vitamina B12 explodem

Não contente com o facto de fornecer menos vitaminas ao organismo e de fazer descarrilar a maquinaria responsável pela assimilação destas, o ser humano agrava ainda mais o seu caso aumentando as suas necessidades de vitamina B12 devido ao seu modo de vida imprudente.
O nível de stress oxidativo com o qual se confronta diariamente (tabaco, stress crónico, inflamação crónica, ansiedade, perturbações do sono, poluição, produtos tóxicos, alimentação nociva, pouca actividade física) exige quantidades de vitamina B12 claramente superiores à média, das quais nem sempre dispõe. Ao fim de alguns anos, o resultado – logicamente – é um esgotamento progressivo das reservas e o início dos problemas…
A epidemia de insuficiência de vitamina B12 que afecta já uma grande parte da população e que se prepara para contaminar o resto do planeta nos próximos anos explica-se, por conseguinte, por um fenómeno triplo: uma redução dos aportes assimiláveis, uma degradação da sua assimilação e um aumento considerável das necessidades.

Porque é que os níveis baixos de vitamina B12 constituem um problema?

Apesar de a vitamina B12 ser rara na natureza, é indispensável ao bom funcionamento de todos os animais. Está envolvida num número incalculável de mecanismos celulares e fisiológicos: metabolismo de todas as células, formação dos glóbulos sanguíneos, das células nervosas, do ADN e das proteínas, equilíbrio do sistema nervoso, metabolismo dos ácidos,… A lista é tão extensa que o simples facto de pensar que podemos, neste preciso momento, ter falta deste nutriente tão precioso, provoca suores frios.
Aliás, esta vitamina está de tal forma envolvida no funcionamento geral do organismo que não é fácil prever os primeiros sintomas em caso de falta dela. Em função dos indivíduos, essa falta pode traduzir-se a longo prazo num número inimaginável7-8 de falhas e de patologias:
  • Perturbações nervosas (irritabilidade, depressão, inchaço, fadiga, agitação, demência, risco de doença neurodegenerativa9…).
  • Um enfraquecimento generalizado do organismo (imunidade fraca, fraqueza muscular, esgotamento, falta de vontade e de tónus, dores…).
  • Problemas digestivos (diarreia, perdas de apetite, inflamação, perdas de peso, má assimilação dos micronutrientes…).
  • Perdas de faculdades visuais (nomeadamente DMLA) e auditivas10.
  • Perturbações do sono, da recuperação, da vigília e da atenção.
É simples – sem níveis séricos adequados de vitamina B12, nada pode funcionar bem no corpo humano.

Quais as doses de vitamina B12? Que moléculas escolher?

Nos últimos anos, a investigação mostrou que a hidroxilcobalamina e a metilcobalamina eram mais bem assimiladas do que as outras formas (cianocobalamina, adenosilcobalamina). E dado que o organismo está adaptado a doses baixas repartidas ao longo do dia, é preciso privilegiar os suplementos cujas doses contêm entre 1,5 e 2 µg (ou seja, a quantidade máxima assimilável por intermédio dos factores intrínsecos) ou melhor ainda, optar pelos suplementos de libertação prolongada como o Daily 2 (que contém 300 µg de vitamina B12 mas cujos princípios activos serão libertados gradualmente).

Contudo, para quem sofre de uma carência, é possível restabelecer rapidamente os stocks de vitamina B12 escolhendo suplementos que contenham doses únicas muito superiores; estamos a falar de doses que podem conter até 1000 µg11 (ou seja 1 mg de metilcobalamina) para beneficiar ao máximo da difusão passiva. Uma grande parte desta vitamina não será absorvida, mas esta é a única forma de maximizar o mecanismo de difusão passiva. É também o melhor método para quem tem uma baixa produção de factores intrínsecos (nomeadamente os idosos, os indivíduos infectados com Helicobacter pylori e quem tem problemas digestivos recorrentes) contornar o circuito principal e recuperar mais rapidamente a saúde.



Referências
1. Allen LH. How common is vitamin B-12 deficiency? Am J Clin Nutr 2009; 89: 693S–696S.
2. Fumio Watanabe, Yukinori Yabuta & al. Vitamin B12-Containing Plant Food Sources for Vegetarians, Nutrients. Maio 2014; 6(5): 1861–1873.
3. Elia M. Oral or parenteral therapy for B12 deficiency. Lancet 1998; 352: 1721-2. View abstract.
4. Michael J Shipton and Jecko Thachil, Vitamin B12 deficiency – A 21st century perspective, Clinical Medicine 2015 Vol 15, N.º 2: 145–50
5. Nicole Tegtmeyer, Silja Wessler, Vittorio Necchi, Manfred Rohde, Aileen Harrer, Tilman T. Rau, Carmen Isabell Asche, Manja Boehm, Holger Loessner, Ceu Figueiredo, Michael Naumann, Ralf Palmisano, Enrico Solcia, Vittorio Ricci, Steffen Backert. Helicobacter pylori Employs a Unique Basolateral Type IV Secretion Mechanism for CagA Delivery. Cell Host & Microbe, 2017; 22 (4): 552 DOI: 10.1016/j.chom.2017.09.005
6. Allen LH, Casterline J. Vitamin B-12 deficiency in elderly individuals: diagnosis and requirements. Am J Clin Nutr 1994; 60: 12-14.
7. Dali-Youcef N, Andrès E. An update on vitamin B12 deficiency in adults. Q J Med 2009; 102: 17–28
8. Stabler SP. Vitamin B12 deficiency. N Eng J Med 2013;368:149–60.
9. Van, Dam F. and van Gool, W. A. Hyperhomocysteinemia and Alzheimer's disease: A systematic review. Arch Gerontol.Geriatr. 2009;48(3):425-430
10. Houston DK, Johnson MA, Nozza RJ, et al. Age-related hearing loss, vitamin B-12, and folate in elderly women. Am J Clin Nutr 1999;69:564-71.
11. Eussen SJ, de Groot LC, Clarke R, et al. Oral cyanocobalamin supplementation in older people with vitamin B12 deficiency: A dose-finding trial. Arch Intern Med 2005;165:1167-72.
Encomendar os nutrientes evocados neste artigo
Methylcobalamine 1 mg

A forma de vitamina B12 mais activa, utilizada preferencialmente para regenerar os neurónios.

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