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20-02-2019

Novidades sobre o ácido alfa-lipóico – o rei sol dos antioxidantes; o pesadelo do envelhecimento

Interessa-se suficientemente por nutrição para saber que os antioxidantes são indispensáveis para a nossa saúde. Sabe, por exemplo, que as frutas e os legumes contêm grandes quantidades de antioxidantes e que contribuem para atrasar o envelhecimento. Conhece certamente os carotenóides, as vitaminas C e E, o selénio e talvez até os flavonóides…

Mas saberia explicar concretamente os papéis que estes desempenham no organismo? Conseguiria citar o rei dos antioxidantes, a creme de la creme, aquele que permite regenerar todos os outros? Sabe em que situações são incontornáveis e em que alturas os deve utilizar?

Com este artigo, aprenda, de uma vez por todas, para que servem os antioxidantes, de que forma atuam e quais são os mais notáveis.

Na origem de tudo está a exploração da energia dos alimentos

Para executar as inúmeras tarefas essenciais à vida, como deslocar-se, respirar ou transportar substâncias no corpo, as nossas células têm forçosamente de receber energia de fontes exteriores. Encontramos esta energia nos alimentos que ingerimos e mais exatamente nos que contêm proteínas, gorduras ou glúcidos. Os organismos vivos que fabricaram estes nutrientes tiveram também eles de utilizar energia, e essa energia continua presente! A energia nunca se perde. Quando converte a energia química contida num entrecosto, essa energia é a que foi ativada pelo animal para fabricar os seus músculos. Quando come uma maçã, extrai a energia que a macieira ativou para produzir um dos seus frutos. Os animais extraem a sua energia consumindo outros animais ou vegetais, ao passo que os vegetais conseguem a proeza de captar e utilizar a energia do sol. Na sua grande maioria, não têm portanto necessidade de comer seres vivos! Se pensarmos bem, devemos-lhes o facto de estarmos vivos, pois toda a energia que circula no mundo vivo provém do sol.

Voltemos aos 3 nutrientes que nos mantêm vivos. As gorduras, as proteínas e os açúcares contêm muita energia, mas é preciso conseguir convertê-la! Se nos contentarmos em dividir estas moléculas, libertamos muita energia, mas de uma forma completamente anárquica e numa forma explosiva muito perigosa. Nenhum animal consegue explorar a energia desta forma. Da mesma forma que a explosão de um depósito de gasolina, por exemplo, não faria avançar um automóvel.

Os animais desenvolveram por isso um sistema complexo que permite “queimar” os nutrientes numa série de etapas, com a ajuda de vários “ingredientes” adicionais, nomeadamente o oxigénio, que extraímos do ar ao respirar. Ao adaptar-se para transformar as moléculas de origem em moléculas cada vez com menos energia, este sistema liberta a energia de forma gradual, o que nos permite armazená-la de uma forma original: o ATP. Trata-se de uma pequena molécula energética facilmente utilizável pelo organismo para realizar todas as operações que necessitam de energia, como a síntese das proteínas, a passagem de certas substâncias através das membranas celulares, a mudança de forma de uma célula ou o batimento dos cílios. O que equivale a dizer-lhe que o ATP é uma molécula fundamental no organismo. Em menos de um minuto, uma célula muscular utiliza perto de 10 milhões de moléculas de ATP!

O nascimento dos ERO, os compostos oxidantes que vão precipitar o envelhecimento

Representação das pequenas fábricas, as mitocôndrias

Estas transformações complexas fazem-se nas nossas células, e na sua maioria, em pequenas fábricas que designamos por “mitocôndrias”. Trata-se de compartimentos mais ou menos permeáveis existentes na quase totalidade das nossas células. No final do processo, as pequenas fábricas conseguem produzir ATP e expelem vários resíduos “limpos”: dióxido de carbono (CO2) e água. Diz-se que os resíduos são limpos porque não são tóxicos para o organismo. Mas, infelizmente, estes não são os únicos resíduos da produção de energia; durante as várias etapas, formam-se produtos particularmente tóxicos para as células: as espécies reativas de oxigénio (ERO). Trata-se de elementos muito instáveis que podem escapar das fábricas de energia e reagir com o oxigénio para formar compostos ainda mais tóxicos. Têm uma necessidade imperiosa de arrancar elementos às outras moléculas para adquirir mais estabilidade e estão prontos para atacar todas as moléculas que se encontram no seu caminho. A produção destes ERO é inevitável. É a contrapartida do sucesso de um sistema de conversão de energia ultra eficaz (captamos cerca de 34% da energia dos nutrientes ao passo que a eficácia do motor de um automóvel atinge apenas os 25%). Conseguimos explorar magnificamente a energia utilizando oxigénio, mas produzimos em pequenas doses moléculas tóxicas que podem prejudicar o nosso organismo a longo prazo. É um bom compromisso.

Para evitar que estas moléculas degradem compostos importantes da fábrica de energia, da célula ou elementos extra celulares (como as proteínas), o organismo implementou um sistema original; envia para a “frente de batalha”, compostos que vão aceitar ser degradados pelos ERO e que lhes vão dar os elementos de estabilidade de que eles precisam. Trata-se dos famosos antioxidantes. Podemos compará-los a “soldados” que se sacrificam para salvar elementos mais importantes da “nação”. Aparam os golpes em vez dos outros. Graças a eles, os ERO não “roubam” elementos estruturais a moléculas vitais.

Os antioxidantes contra os ERO – um combate durante muito tempo justo

Numa situação normal, os ERO estão presentes nas nossas células em doses razoáveis. O organismo fabrica então quantidades adequadas de antioxidantes para conseguir minimizar os danos. Utiliza também antioxidantes que encontra nos alimentos que são consumidos, em particular nas frutas e legumes. E sim, tal como nós, os vegetais fabricam “soldados” para lutar contra os ERO e encontramos logicamente estes compostos nas partes que consumimos. Na realidade, eles produzem até muito mais do que nós! Contrariamente aos animais, os vegetais têm de se expor o mais possíveis aos raios solares se quiserem produzir energia. Ora, os raios UV são conhecidos por gerar uma grande quantidade de ERO (é aliás por isso que as pessoas que se expõem com demasiada frequência ao sol sem proteção veem aumentar o risco de desenvolver cancro da pele!). Além disso, produzem oxigénio puro durante a fotossíntese, o qual leva a uma produção acrescida destas moléculas oxidantes. Defendem-se delas fabricando um potente sortido de antioxidantes.

O organismo utiliza portanto dois tipos de “soldados” para combater os ERO: os antioxidantes endógenos (ou seja, que ele próprio fabrica) e os antioxidantes exógenos (que encontra na alimentação). E cada tipo de antioxidante tem o seu terreno predileto: alguns, como a vitamina E, são especialmente treinados para evoluir em terrenos lipídicos tais como as membranas celulares; outros, como a vitamina C, atuam melhor em meios aquosos tais como o citoplasma.



Este combate entre ERO e antioxidantes começa logo na formação do embrião após a fecundação e dura… toda a vida. Durante muito tempo, pelo menos duas décadas, o combate é equilibrado. Os antioxidantes neutralizam os ERO, os compostos são muito pouco atacados e o organismo funciona na perfeição. Acontece até regularmente o corpo “utilizar” os ERO para comunicar ou combater elementos estranhos e indesejáveis.

O stress oxidativo; quando os ERO começam a ter a vantagem e ameaçam gravemente a nossa saúde

É depois dos 30 anos que as coisas se complicam. A partir deste momento (mas pode ser mais cedo ou mais tarde), os ERO começam a tomar a dianteira. Inúmeros fatores ambientais como o excesso de peso, a ingestão de substâncias tóxicas (fumo de cigarro, pesticidas, metais pesados, etc.), a exposição aos poluentes do ar, as infeções microbianas, os raios UV, a inflamação crónica ou o stress, fazem com que o seu número aumente progressivamente no organismo. Se estes fatores forem temporários, o organismo revê a sua produção de antioxidantes, aumentando-a para manter o status quo. Mas, se eles persistirem, o equilíbrio é quebrado. É neste momento que o organismo tem mais necessidade de antioxidantes de origem exógena – os que encontramos na alimentação. A produção atingiu o seu limite e o único meio de aumentar os efetivos de “soldados” consiste em consumir mais antioxidantes “já formados”. Infelizmente, regra geral, acontece o inverso; o nosso consumo de antioxidantes por intermédio das frutas, dos legumes e de todos os outros vegetais não está à altura dos desafios.

A superioridade numérica prolongada dos ERO origina então rapidamente lesões irreversíveis em inúmeras moléculas biológicas, conduzindo – a longo prazo – a perdas de funções (1).

As proteínas – primeiros alvos dos ERO

Cerca de 50 a 70% dos ERO atacam prioritariamente as proteínas, com consequências mais ou menos graves (2). Regra geral, degradam as cadeias laterais das proteínas, com uma preferência pelos aminoácidos com enxofre (cisteína e metionina), básicos (arginina, histidina e lisina) e aromáticos (fenilalanina, tirosina e triptofano). A maior parte das vezes, estas degradações são temporárias pois o organismo consegue substitui-las e fabricar novas, mas perturbam momentaneamente o funcionamento do muitos sistemas (3), inclusive o próprio sistema antioxidante! Acontece também, e isso é mais grave, as proteínas danificadas não poderem ser substituídas nem retiradas.

Representação da aterosclerose

Tomemos como exemplo a aterosclerose, um fenómeno inflamatório crónico que conduz à formação de placas nos artérias de tamanho médio e grande. No início, os ERO atacam certas proteínas que circulam no sangue; os LDL e os VLDL. São proteínas que transportam colesterol para todas as células do corpo humano. Quando são danificadas pelos ERO, originam a secreção de mensageiros pro-inflamatórios e representam por isso sérios problemas para o sistema imunitário. Células especializadas tomam então a decisão de os neutralizar, devorando-os; trata-se dos macrófagos. Infelizmente, nas pessoas que apresentam grandes quantidades de LDL e de VLDL (geralmente porque os seus aportes em açúcares e em colesterol são demasiado elevados) os macrófagos têm muito trabalho. Como há muito LDL e VLDL danificado pelos ERO, os macrófagos têm literalmente de se empanturrar para conseguir devorá-los todos. E rapidamente, eles próprios passam a conter quantidades excessivas de colesterol. Contêm tal quantidade que, em certos locais turbulentos do fluxo sanguíneo, “encalham” nas paredes da camada interna das artérias e acabam por formar placas muito perigosas para o organismo (4). As famosas placas de ateroma.

Em outras situações patológicas, as proteínas degradadas pelos ERO não são destruídas pelo organismo e podem formar agregados que se acumulam nas células e no compartimento extracelular.

Os ERO atacam também o ADN

Infelizmente, os ERO são particularmente “gulosos” por ADN, nomeadamente por um dos seus compostos – a guanina. E nessa caso, a história muda de figura: o ADN não é uma molécula que seja facilmente substituída. Existem sistemas de reparação, é certo, mas as informações que estão na origem destes sistemas estão elas próprias inscritas no ADN. A degradação do ADN a longo prazo pelos ERO desregula por conseguinte inúmeros mecanismos fisiológicos e contribui – direta e indiretamente – para o desenvolvimento do cancro e para o envelhecimento. Com o passar do tempo, os sistemas de reparação do ADN começam a falhar, o que leva sempre a mutações e a cada vez mais falhas. Nenhum sistema fica a salvo quando o ADN é afetado.

Esta cadeia de destruição foi evidenciada no decurso do envelhecimento mas também na quase totalidade das doenças crónicas. Ela é a causa direta de vários cancros, da aterosclerose e provavelmente da doença de Alzheimer e da diabetes.

O assalto contra os lípidos membranares

As nossas membranas celulares são igualmente alvos privilegiados dos ERO. Elas contêm ácidos gordos indispensáveis à nossa saúde: as gorduras poli-insaturadas (de que fazem parte os ómega 3). São estes ácidos gordos que interessam particularmente aos ERO. Eles são responsáveis pela flexibilidade das nossas membranas, uma propriedade crucial para garantir a transmissão nervosa correta e prevenir o declínio cognitivo. Sem eles, as nossas membranas tornar-se-iam rígidas e as células consideravelmente diminuídas. Algumas acabam mesmo por morrer.

Os ERO transformam estes ácidos gordos muito benéficos em novos produtos nefastos para várias atividades biológicas (5). Chama-se a isso peroxidação lipídica. Trata-se de uma destruição progressiva da membrana celular, que prossegue até que um elemento de defesa a pare (como um efeito dominó). A defesa das membranas é justamente a missão principal de um dos antioxidantes fabricados pelo organismo: a glutatião peroxidase.

Os antioxidantes exógenos de que dispomos: do menos ativo ao mais notável

Agora já sabe, quando os nossos antioxidantes endógenos diminuem em quantidade, os antioxidantes de origem alimentar são decisivos. É por essa razão que o consumo de, pelo menos, 5 frutas e legumes por dia (na verdade seria preciso ingerir muito mais) é importante para toda a gente, mas ainda mais para as pessoas com mais de 30 anos de idade.

Os antioxidantes de origem alimentar são muito numerosos. Mas há no entanto 3 que se destacam.

A vitamina C

A maioria dos mamíferos consegue sintetizar a vitamina C ao nível do fígado ou dos rins, mas o homem não o consegue fazer. Tem, por isso, de a obter na alimentação (cerca de 100 mg por dia, no mínimo). A vitamina C é uma excelente captadora dos ERO. Ela põe fim à peroxidação lipídica regenerando um outro antioxidante capaz de evoluir nos meios lipídicos; a vitamina E.

A vitamina E

A vitamina E designa, na realidade, um conjunto de moléculas antioxidantes muito parecidas – os tocoferóis e os tocotrienóis. Eles adoram os meios lipídicos, o que lhes permite inserir-se nas membranas celulares. O α-tocoferol é o mais abundante (cerca de 10 mg pela via da alimentação por dia graças a certos óleos vegetais e a determinados frutos secos) mas parece que o γ-tocoferol é o mais eficaz (encontramo-lo no óleo de sésamo).

O ácido alfa-lipóico – o mais eficaz de todos

Talvez não o conheça; no entanto, trata-se com toda a certeza do antioxidante mais eficaz. É produzido naturalmente pelo organismo, mas também o encontramos na alimentação (em pequenas quantidades nos legumes de folha como os espinafres).

Eis quatro das suas propriedades que o tornam verdadeiramente excecional:

  • A sua grande polivalência. Tanto pode atuar num meio aquoso como num meio lipídico, contrariamente à vitamina E (atua unicamente em meio lipídico) e à vitamina C (unicamente em meio aquoso). É por esta razão que é muitas vezes chamado o antioxidante universal.
  • O seu poder regenerador. Consegue regenerar os outros antioxidantes depois de estes terem neutralizado outros ERO. Prolonga assim o tempo de vida e a eficácia da vitamina E, da vitamina C e do glutatião (do qual propicia a produção).
  • O seu efeito quelante. Apresenta igualmente a capacidade muito investigada de atrair os metais tóxicos como o arsénio, o cádmio e o mercúrio (6-7).
  • O seu poder reparador. Não contente por se opor aos ERO e regenerar os “soldados” mortos em combate, o ácido alfa-lipóico consegue reparar certos danos oxidativos infligidos às moléculas, nomeadamente às proteínas. Trata-se de uma propriedade particularmente importante, sobretudo relativamente às proteínas cuja taxa de substituição é muito baixa, como a mioglobina (8).

Um organismo com 20 anos perfeitamente saudável produz ácido lipóico suficiente para suprir as suas necessidades. Mas esse não é definitivamente o caso para um organismo mais “maduro”, sobretudo se sofrer de uma doença crónica, de diabetes, de cirrose ou ainda de aterosclerose (9).

Atualmente, os investigadores multiplicam os ensaios clínicos para compreenderem todo o âmbito dos poderes do ácido alfa-lipóico. Já sabemos que ele combate o stress oxidativo, o desequilíbrio que coloca os ERO em situação de vantagem. Reforça os “soldados” cujos efetivos vacilam perigosamente e fá-lo com uma eficácia notável. Por conseguinte, é útil em todas as afeções associadas ao stress oxidativo. Um estudo mostrou, por exemplo, os efeitos positivos da toma de um suplemento de ácido alfa-lipóico na perda de audição ligada à idade (10).

Mas os estudos mais recentes mostram que ele pode fazer muito melhor que isso.

Os poderes do ácido alfa-lipóico no envelhecimento; telomerase e relógio circadiano

Há já várias décadas, os investigadores descobriram que os nossos cromossomas – os elementos que encerram os nossos genes – encurtam de forma regular à medida que vamos envelhecendo. Para evitar que os genes não sofram as consequências desta anomalia, o organismo colocou sequências de ADN totalmente inúteis nas extremidades. Desta forma, os cromossomas encurtam mas não desaparece qualquer gene. Infelizmente, as sequências inúteis não são infinitas e, mais cedo ou mais tarde, um primeiro gene volatiliza-se, levando consigo informações genéticas preciosas. A partir deste momento, o encurtamento inexorável dos cromossomas vai levar ao desaparecimento de inúmeros genes e provocar disfunções relevantes nas células e em todo o organismo. Quando atingem esta fase, a maioria das células suicida-se para evitar a catástrofe. É um outro elemento do envelhecimento…

Na realidade, existe uma enzima que adiciona novas sequências de ADN às extremidades e que impede o encurtamento dos cromossomas, mas essa enzima só se exprime em algumas células, nomeadamente as de um embrião. Essa enzima é a telomerase. Em 2015, um grupo de investigadores mostrou que o ácido alfa-lipóico tomado na forma de complemento alimentar estimulava a atividade desta enzima, com efeitos positivos observados em animais com aterosclerose (11).



E não é tudo! Um grupo de investigadores mostrou também que o ácido lipóico ajudava a manter um ritmo circadiano normal (12). Ora, sabemos que este “relógio biológico”, que se desregula à medida que vamos envelhecendo, influencia uma quantidade insuspeitável de funções biológicas como a resistência ao stress, a função cardíaca, o equilíbrio hormonal, o desempenho muscular, o metabolismo da glicose… “Notámos que os animais que tomavam o suplemento com ácido lipóico apresentavam uma melhor capacidade cognitiva e uma expressão genética de uma centena de genes associados à desintoxicação e à antioxidação comparável à dos animais mais jovens” afirmou entusiasmado o professor Tory Hagen, um dos autores do estudo. “Quanto melhor é a compreensão que temos do relógio biológico, mais nos apercebemos que ele está envolvido em inúmeros aspetos da vida” continua ele. “Os ritmos circadianos afetam um fluxo de processos biológicos cruciais; se o ácido lipóico ajuda a ressincronizá-los, isso poderia conferir uma vantagem significativa.

Ácido alfa-lipóico e antioxidantes – a continuação dos estudos

Os investigadores continuam a explorar os poderes insuspeitáveis do ácido alfa-lipóico. Com muita dificuldade, como acontece para todos os compostos antioxidantes. O interesse destas substâncias consiste em impedirem o desenvolvimento de patologias associadas ao stress oxidativo e abrandarem o processo de envelhecimento. Ora, é muito difícil medir estes efeitos em ensaios clínicos – geralmente com duração limitada a alguns meses. A toma de um suplemento durante 2, 5 ou até 10 anos pode ter impedido o desenvolvimento de uma patologia, abrandado certos sinais do envelhecimento ou atrasado o surgimento de problemas auditivos, mas como provar isso dado que as afeções foram evitadas? E além disso, como provar que essas afeções foram evitadas graças à esta toma do suplemento?

Na verdade, é um pouco o mesmo problema que têm os investigadores para provar a toxicidade a longo prazo de determinados produtos nefastos, como os pesticidas. Estes funcionam exatamente da forma inversa; aumentam o nível dos ERO e aceleram o surgimento dos cancros e do envelhecimento. Como por vezes são precisos mais de 20 anos até que os efeitos se manifestem, é frequente os investigadores demorarem décadas a associar os produtos e os riscos. Esta ligação de causa e efeito assenta antes de tudo em estudos de observação e em trabalhos de laboratório; os ensaios clínicos não têm qualquer utilidade para avaliar o risco deste tipo de substâncias (quem quereria ser o sujeito do estudo e tomar durante 30 anos um suplemento com pesticidas?).

Voltando ao ácido alfa-lipóico, os ensaios clínicos demonstram sobretudo os seus efeitos quando a situação já é dramática, quando os ERO são omnipresentes, no âmbito de uma diabetes, por exemplo. Mostram também uma diminuição objetiva incontestável do nível dos ERO nas concentrações plasmáticas e um aumento do nível dos antioxidantes (13). Quanto ao resto, será preciso confiar nos estudos de observação, nos estudos in vitro e nos estudos em modelos animais, já numerosos.

Como escolher o seu complemento de ácido alfa-lipóico?

Não é possível fugir; os complementos de ácido alfa-lipóico são forçosamente fabricados em laboratório. Este processo termina com a síntese de uma mistura de duas formas de ácido lipóico: a forma R e a forma S. A forma R é exatamente a mesma molécula que a fabricada pelo nosso organismo. A forma S, pelo contrário, não passa de uma cópia de má qualidade e parece aliás ser totalmente inativa.

A maioria dos vendedores propõe complementos que contêm as duas formas, pois é bastante dispendioso separá-las. E é neste ponto que é preciso estar atento: se a etiqueta indicar 200 mg de ácido alfa-lipóico, sem qualquer outra especificação, é muito provável que isso signifique que o complemento contém as duas formas em quantidades iguais, ou seja, apenas 100 mg de ácido alfa-lipóico. Apesar de a forma S parecer inofensiva, trata-se de uma molécula que não servirá para nada no seu organismo. Se puder, prefira portanto complementos que apenas contenham ácido R-lipóico, como R-Lipoic Acid 100mg.


Escolha igualmente complementos cujas dosagens por cápsula não sejam demasiado elevadas: como o tempo de vida do ácido lipóico no organismo é bastante curto (14), é preferível tomar pequenas quantidades por várias vezes. As dosagens de ácido alfa-lipóico, por via oral, utilizadas no âmbito dos estudos científicos são de 100 a 200 mg, 3 vezes por dia. Nos estudos que evidenciaram benefícios (15-21), foram necessárias várias semanas de tratamento para notar os efeitos.

É igualmente importante tomar o suplemento fora das refeições: os outros nutrientes e micronutrientes reduzem fortemente a sua biodisponibilidade! Sem eles, ele monopoliza dois veículos de transporte principais para atravessar a barreira intestinal e chegar aos tecidos (22).

Por fim, um último ponto importante: o ácido alfa-lipóico é extremamente sensível ao calor, à humidade e à luz; é indispensável conservá-lo em local seco e fresco.



Resumo dos pontos importantes

  • A produção de energia a partir dos alimentos e do dioxigénio leva ao surgimento de compostos tóxicos para o organismo – os ERO.
  • O organismo consegue controlar estes compostos tóxicos graças aos antioxidantes endógenos (produzidos pelo organismo) e exógenos (fornecidos pela alimentação ou por suplementos).
  • No decurso do envelhecimento e paralelamente a inúmeras doenças, os ERO tornam-se maioritários e degradam inúmeras moléculas essenciais como proteínas, lípidos e até ADN.
  • O ácido alfa-lipóico é o antioxidante universal por excelência; tanto é produzido pelo organismo como está presente em certos alimentos. Antimutagénico notável e regenerador de inúmeros outros antioxidantes, atuaria igualmente contra o envelhecimento.
    Doses adequadas: 3 cápsulas de 100 mg de
    ácido R-lipóico fora das refeições.

A receita para uma produção de energia eficaz e duradoura

Os ingredientes principais:

  • Alimentos ricos em glúcidos, em proteínas ou em lípidos (cerca de 2000 a 3000 quilocalorias por dia).
  • Oxigénio (ou seja cerca de 12 000 litros de ar por dia).
  • Vitamina B3 (que contribui para a produção de NAD, um intermediário importante).
  • Co-enzima Q10 (um intermediário que encontramos sobretudo na carne e no peixe).

Os restos e resíduos produzidos pelo sistema:

  • Dióxido de carbono carbono (CO2).
  • Água.
  • Substâncias tóxicas pró-oxidantes, os ERO.

Os truques:

  • Uma parede intestinal saudável para absorver eficazmente os nutrientes (glúcidos e proteínas) e micronutrientes secundários.
  • A toma de suplementos com antioxidantes (sobretudo de ácido alfa-lipóico) e o grande consumo de alimentos frescos de origem vegetal.
  • Evitar todas as fontes adicionais de ERO como o tabaco, os pesticidas, a poluição, a exposição inadequada ao sol (pele não preparada), a exposição contínua ao ruído, etc.


Referências

  1. Carrière A, Galinier A, Fernandez Y, et al. Les espèces actives de l’oxygène : le yin et le yang de la mitochondrie. Med Sci (Paris) 2006 ; 22 : 47-53.
  2. Davies KJ. Protein damage and degradation by oxygen radicals. I. General aspects. J Biol Chem 1987 ; 262 : 9895-901
  3. Finkel T. Redox-dependent signal transduction. FEBS Lett 2000 ; 476 : 52-4.
  4. Nakajima K, Nakano T, Tanaka A.— The oxidative modification hypothesis of atherosclerosis : The comparison of atherogenic effects on oxidized LDL and remnant lipoproteins in plasma. Clin Chim Acta, 2006, 367, 36-47.
  5. Murphy RC. Free radical-induced oxidation of glycerophosphocholine lipids and formation of biologically active products. Adv Exp Med Biol 1996 ; 416 : 51-8.
  6. Biewenga GP, Haenen GR, Bast A. The pharmacology of the antioxidant lipoic acid. General pharmacology. 1997;29(3):315-31. Epub 1997/09/01
  7. Goraca A, Huk-Kolega H, Piechota A, Kleniewska P, Ciejka E, Skibska B. Lipoic acid - biological activity and therapeutic potential. Pharmacological reports : PR. 2011;63(4):849-58. Epub 2011/10/18.
  8. Packer L, Witt EH, Tritschler HJ. alpha-Lipoic acid as a biological antioxidant. Free radical biology & medicine. 1995;19(2):227-50. Epub 1995/08/01.
  9. Kagan VE, Shvedova A, Serbinova E, et al. Dihydrolipoic acid—a universal antioxidant both in the membrane and in the aqueous phase. Reduction of peroxyl, ascorbyl, and chromanoxyl radicals. Biochem Pharmacol. 1992;44:1637-1649.
  10. Seidman MD, Khan MJ, Bai U, et al. Biologic activity of mitochondrial metabolites on aging and age-related hearing loss. Am J Otol.2000;21:161-167.
  11. Shiqin Xiong, Nikolay Patrushev, Farshad Forouzandeh, Lula Hilenski, R. Wayne Alexander. PGC-1α Modulates Telomere Function and DNA Damage in Protecting against Aging-Related Chronic Diseases. Cell Reports, 2015; DOI: 10.1016/j.celrep.2015.07.047
  12. Oregon State University. "Lipoic Acid Explored As Anti-aging Compound." ScienceDaily. ScienceDaily, 18 May 2007.
  13. Mantovani G, Maccio A, Madeddu C, Mura L, Massa E, Gramignano G, et al. Reactive oxygen species, antioxidant mechanisms, and serum cytokine levels in cancer patients: impact of an antioxidant treatment. Journal of environmental pathology, toxicology and oncology : official organ of the International Society for Environmental Toxicology and Cancer. 2003;22(1):17-28. Epub 2003/04/08.
  14. Breithaupt-Grogler, Dose-proportionality of oral thioctic acid--coincidence of assessments via pooled plasma and individual data. Eur J Pharm Sci. 1999 Apr;8(1):57-65.
  15. Jacob S, Henriksen EJ, Schiemann AL, et al. Enhancement of glucose disposal in patients with type 2 diabetes by alpha-lipoic acid.Arzneimittelforschung. 1995;45:872-874.
  16. Kawabata T, Packer L. Alpha-lipoate can protect against glycation of serum albumin, but not low density lipoprotein. Biochem Biophys Res Commun. 1994;203:99-104.
  17. Nagamatsu M, Nickander KK, Schmelzer JD, et al. Lipoic acid improves nerve blood flow, reduces oxidative stress, and improves distal nerve conduction in experimental diabetic neuropathy. Diabetes Care. 1995;18:1160-1167.
  18. Suzuki YJ, Tsuchiya M, Packer L. Lipoate prevents glucose-induced protein modifications. Free Radic Res Commun. 1992;17:211-217
  19. Jacob S, Ruus P, Hermann R, et al. Oral administration of RAC-alpha-lipoic acid modulates insulin sensitivity in patients with type-2 diabetes mellitus: a placebo-controlled pilot trial. Free Radic Biol Med. 1999;27:309-314.
  20. Dincer Y, Telci A, Kayali R, Yilmaz IA, et al. Effect Of alpha-Lipoic Acid On Lipid Peroxidation And Anti-Oxidant Enzyme Activities In Diabetic Rats. Clin Exp Pharmacol Physiol. 2002;29:281-284.
  21. Melhem MF, Craven PA, Liachenko J, et al. Alpha-lipoic acid attenuates hyperglycemia and prevents glomerular mesangial matrix expansion in diabetes. J Am Soc Nephrol. 2002;13:108-116.
  22. Chng HT, New LS, Neo AH, Goh CW, Browne ER, Chan EC. Distribution study of orally administered lipoic acid in rat brain tissues. Brain Res. 2009 Jan 28;1251:80-6. doi: 0.1016/j.brainres.2008.11.025. Epub 2008 Nov 19.
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