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30-05-2018

Formação de novos neurónios – tudo é possível em qualquer idade!

neurones Pela primeira vez na história, um grupo de investigadores mostrou que idosos com mais de 70 anos podiam formar tantos neurónios novos como os mais jovens. Trata-se de um verdadeiro estímulo para a neurogénese, um domínio em constante avanço nos últimos anos. Há 20 anos pensava-se que cada indivíduo tinha um número definido de neurónios e que não lhe era possível formar novos ao longo da vida.

A descoberta da manutenção desta capacidade de gerar novos neurónios marca um ponto de viragem na compreensão das nossas funções cognitivas e do envelhecimento cerebral. Abre perspectivas formidáveis: podemos estimular esta capacidade espantosamente preservada e, em caso afirmativo, como? Se esta capacidade não é alterada com a idade, o que é que provoca o envelhecimento das nossas capacidades mentais?

O estudo: a neurogénese humana mantém-se ao longo de toda a vida

Os autores do estudo publicado na revista Cell Stem Cell fizeram a autópsia do hipocampo de 28 indivíduos falecidos prematuramente e com idades compreendidas entre os 14 e 79 anos. Trata-se de uma região muito específica do cérebro, envolvida nas emoções, na memória e na aprendizagem. Para evitar todo e qualquer erro de interpretação, os investigadores asseguraram-se de que estas pessoas não sofriam de qualquer patologia cognitiva.

Ficaram muito surpreendidos por constatar que todos os cérebros tinham produzido recentemente novos neurónios, inclusive o mais velho dos cérebros, e em quantidades semelhantes. “Os idosos parecem ter a capacidade de fabricar milhares de novos neurónios a partir de células progenitoras, tal como os mais jovens” avança Maura Boldrini, professora de neurobiologia e co-autora do estudo. O volume do hipocampo parece mesmo manter-se idêntico ao longo de toda a vida, contrariamente à ideia mais difundida.

Mas, então, o que é que faz com que o cérebro dos idosos não funcione tão bem? Os autores constataram diferenças importantes entre os hipocampos dos sujeitos idosos e os dos mais jovens; apesar de serem em número idêntico, os novos neurónios revelam-se menos vascularizados nos sujeitos idosos e parecem ter dificuldade em criar conexões com os outros neurónios. “É possível que a neurogénese mantenha uma função cognitiva ao longo de toda a vida no ser humano, mas determinados factores psicológicos, emocionais e traumáticos contribuem para o seu declínio ” acrescenta Maura Boldrini.

Para ir mais longe: O que é que esta descoberta significa concretamente?

Para que serve um neurónio?

neuronesUm neurónio é uma célula específica do cérebro, que permite transmitir, analisar e memorizar uma informação. Comunica com outros neurónios graças a finos prolongamentos que podem medir até um metro na espinal-medula.

Vários trabalhos recentes mostram a importância dos novos neurónios no que toca à aprendizagem de tarefas mnésicas complexas e a preservação da respectiva formação constitui portanto uma excelente novidade.

Contudo, a formação dos neurónios é uma coisa, mas a respectiva capacidade de se remodelar e se reorganizar ao longo de toda a vida, sob o impulso das nossas experiências e do meio ambiente, é outra. Chamamos a esta capacidade de reconfiguração neuroplasticidade.

E, embora o número de neurónios seja associado à intensidade da função cognitiva, a neuroplasticidade desempenha um papel importante na consolidação da memória e no tratamento das informações. Quando um neurónio envia mensagens a outro neurónio de forma repetida, o segundo neurónio torna-se progressivamente mais sensível ao primeiro. Formam-se assim potentes redes neuronais em função dos nossos comportamentos e das nossas actividades habituais.

A má notícia é que os autores do estudo observaram uma diminuição desta neuroplasticidade com o avançar da idade.

O que é a neurogénese?

neurogeneseA neurogénese é a formação de novos neurónios funcionais. Funciona em pleno no embrião durante os primeiros 5 meses da gravidez (atingindo um stock de 100 milhares de milhões de neurónios) e mantém-se a um ritmo mais lento mas estável ao longo de toda a vida (de 1000 a 1400 novos neurónios por dia). Trata-se de uma etapa fundamental para a formação do nosso sistema nervoso central.

Como funciona?

Concretamente, estes novos neurónios são criados a partir de células estaminais neurais existentes no organismo ao nível do hipocampo (mais precisamente da região dentada). Estas células estaminais têm a capacidade de se auto renovar e de se transformar em diferentes tipos de células nervosas, algumas das quais irão originar neurónios. Antes de cada transformação, demoram tempo a dividir-se de forma a manter uma determinada constância da população de células estaminais ao longo de toda a vida (1).

Esta transformação produz-se em várias etapas:

  • A proliferação celular: a célula estaminal divide-se e depois transforma-se num elemento intermediário, o progenitor.
  • A migração celular: o progenitor entra em maturação e, de seguida, divide-se e diferencia-se progressivamente num neurónio. Os autores do estudo mostram que o número de progenitores intermediários se mantém estável ao longo de toda a vida.
  • A sobrevida: apenas uma parte dos novos neurónios sobrevivem e se tornam funcionais. Esta etapa parece depender da execução de tarefas dependentes do hipocampo e da qualidade da vascularização. Por outras palavras, os neurónios só são mantidos se a pessoa se servir deles e se eles puderem ser suficientemente bem alimentados com oxigénio, nutrientes e micronutrientes.
  • A integração: os neurónios continuam o seu crescimento projectando para a frente os seus prolongamentos celulares (axónios e dendrites). Fazem com que estes entrem em contacto com os outros neurónios e diferentes células de apoio (astrócitos, oligodendrócitos…). Esta capacidade parece diminuir com o passar do tempo.

Como estimular a neuroplasticidade? Podemos também estimular a neurogénese?

Dado que a neurogénese parece espantosamente preservada com o passar do tempo, é sobretudo a neuroplasticidade que deve ser estimulada, bem como a vascularização dos neurónios. Com efeito, não é apenas o número de neurónios que conta, mas também a qualidade das ligações que tecem entre eles, a presença de células que os apoiam e a quantidade de vasos sanguíneos susceptíveis de responder de forma adequada às respectivas exigências em termos de oxigénio, glicogénio e vitaminas…

São muitos os trabalhos que mostram que a neuroplasticidade e a neurogénese podem ser melhoradas por, pelo menos, 4 factores:


Tendo projectos, actividades cognitivas e sociais abundantes (2-4)


A aprendizagem e os exercícios mentais propiciam a fase de sobrevida da neurogénese estimulando a integração dos neurónios num circuito já existente. Adicionalmente, a repetição destas actividades (ou o aumento da respectiva dificuldade ou intensidade) conduz a uma melhor mielinização dos prolongamentos neuronais, o que permite uma mais rápida circulação das informações.

Por outras palavras, produzimos os recursos necessários para o sucesso das nossas aprendizagens e actos. Se desejar aprender a tocar um instrumento musical aos 50 anos, irá criar novos neurónios e deverá prolongar esta actividade no tempo se desejar que esses neurónios se associem em rede . Se pretender manter as suas capacidades de memória, deve continuar a memorizar o máximo de informações possível e não deixar de aprender coisas novas. Pelo contrário, se deixar de fazer actividades, o seu organismo não se empenhará em conservar circuitos neuronais inúteis e muito menos em recrutar novos circuitos.

Se os projectos individuais são importantes, parece que os projectos que se incluem num quadro social rico produzem efeitos ainda melhores. Nos animais, mostrou-se que a neurogénese era melhorada de forma espectacular quando os sujeitos são colocados num ambiente enriquecido com brinquedos, companheiros e diversos objectos que suscitam a sua curiosidade ou a sua vontade de explorar. Se tem a impressão de que a riqueza da sua vida social diminuiu nos últimos anos, inspire-se para inverter rapidamente essa situação…


Ao aumentar os nossos aportes em ómega 3 e em vitaminas B (5-7)


Os neurónios gerados no adulto são neurónios pequenos que têm necessidades muito elevadas de ácidos gordos essenciais, em particular de ácidos gordos ómega 3, para construir a sua exigente membrana celular. Estes ácidos gordos são reconhecidos unanimemente pela comunidade científica e pelas autoridades europeias por contribuírem para a manutenção das funções cognitivas, em particular o DHA (um ácido gordo de origem natural que encontramos com boa qualidade no Super DHA da Supersmart).

De igual modo, as vitaminas B2, B6 e B12 (reunidas na Coenzymated B Formula, uma fórmula destinada a fornecer as vitaminas B na melhor forma) estão incontestavelmente envolvidas na optimização do sistema nervoso. Infelizmente, apesar de os aportes ideais serem indispensáveis para a neurogénese, as carências generalizam-se cada vez mais, sobretudo no que toca à vitamina B12 (ver a este propósito: Todos temos carências de vitamina B12? As razões de uma penúria em massa e respectivas consequências).


Aumentando o nível da nossa actividade física (8-9)


A actividade física aumenta a proliferação envolvida na neurogénese. Melhora sobretudo o volume sanguíneo cerebral que conduz a melhores desempenhos cognitivos, tanto no animal como no ser humano. Ora, os autores do estudo mostraram que a vascularização declina com a idade…


Melhorando a nossa faculdade de libertar o stress (10-11)


Vários trabalhos evidenciaram o carácter muito nefasto do stress na proliferação celular e na neurogénese em geral, quer se trate de stress psicológico como psicossocial. É por isso importante preparar-se ao máximo ou, pelo menos, saber reduzir os seus efeitos (recorrendo a práticas físicas, plantas adaptogénicas, técnicas de respiração, etc.).


Os pontos a reter


  • A capacidade de criar novos neurónios mantém-se estável ao longo de toda a vida. O número de células que apoiam os neurónios também não varia.
  • A angiogénese (a capacidade de criar novos vasos sanguíneos) e a neuroplasticidade (a capacidade de os neurónios se remodelarem em função do ambiente) declinam com a idade.

Depois deste estudo histórico, ficamos à espera de saber quais são os factores endógenos mais decisivos na neurogénese, em particular aqueles em que a toma de suplementos poderia melhorar a proliferação, a sobrevida e a diferenciação dos progenitores neurais. Tais trabalhos permitiriam não só manter uma neurogénese normal, como também aproximar-se da neurogénese fetal, que forma até 250 000 neurónios por segundo. São permitidas até as esperanças mais loucas…

Referências:

(1) James B. Aimone, Yan Li, Star W. Lee, Gregory D. Clemenson, Wei Deng, and Fred H. Gage, Regulation and Function of Adult Neurogenesis: From Genes to Cognition, Physiol Rev. 2014 Oct;94(4):991-1026. doi: 10.1152/physrev.00004.2014.
(2) Peretto P, Schellino R, De Marchis S, Fasolo A. The interplay between reproductive social stimuli and adult olfactory bulb neurogenesis. Neural Plast. 2014;2014:497657. doi: 10.1155/2014/497657. Epub 2014 Jul 22.
(3) Oboti L, Savalli G, Giachino C, De Marchis S, Panzica GC, Fasolo A, Peretto P. Integration and sensory experience-dependent survival of newly-generated neurons in the accessory olfactory bulb of female mice. Eur J Neurosci. 2009 Feb;29(4):679-92. doi: 10.1111/j.1460-9568.2009.06614.x. Epub 2009 Feb 6.
(4) Opendak M, Briones BA, Gould E. Social behavior, hormones and adult neurogenesis. Front Neuroendocrinol. 2016 Apr;41:71-86. doi: 10.1016/j.yfrne.2016.02.002. Epub 2016 Mar 17.
(5) Hu X, Zhang F, Leak RK, Zhang W, Iwai M, Stetler RA, Dai Y, Zhao A, Gao Y, Chen J. Transgenic overproduction of omega-3 polyunsaturated fatty acids provides neuroprotection and enhances endogenous neurogenesis after stroke. Curr Mol Med. 2013 Nov;13(9):1465-73.
(6) Kang JX, Gleason ED. Omega-3 Fatty acids and hippocampal neurogenesis in depression. CNS Neurol Disord Drug Targets. 2013 Jun;12(4):460-5.
(7) Pu H, Jiang X, Wei Z, Hong D, Hassan S, Zhang W, Liu J, Meng H, Shi Y, Chen L, Chen J. Repetitive and Prolonged Omega-3 Fatty Acid Treatment After Traumatic Brain Injury Enhances Long-Term Tissue Restoration and Cognitive Recovery. Cell Transplant. 2017 Apr 13;26(4):555-569. doi: 10.3727/096368916X693842. Epub 2016 Nov 24.
(8) Yau SY, Gil-Mohapel J, Christie BR, So KF. Physical exercise-induced adult neurogenesis: a good strategy to prevent cognitive decline in neurodegenerative diseases? Biomed Res Int. 2014;2014:403120. doi: 10.1155/2014/403120. Epub 2014 Apr 9.
(9) Maass, A., Duzel, S., Goerke, M., Becke, A., Sobieray, U., Neumann, et al. (2015). Vascular hippocampal plasticity after aerobic exercise in older adults. Mol. Psychiatry 20, 585–593.
(10) Egeland M, Zunszain PA, Pariante CM. Molecular mechanisms in the regulation of adult neurogenesis during stress. Nat Rev Neurosci. 2015 Apr;16(4):189-200. doi: 10.1038/nrn3855.
(11) Lucassen PJ, Oomen CA, Naninck EF, Fitzsimons CP, van Dam AM, Czeh B, Korosi A. Regulation of Adult Neurogenesis and Plasticity by (Early) Stress, Glucocorticoids, and Inflammation. Cold Spring Harb Perspect Biol. 2015 Sep 1;7(9):a021303. doi: 10.1101/cshperspect.a021303.

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