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06-06-2018

Pesticidas – o envenenamento continua a progredir. Como reagir?

pesticidas Pensava que o consumo de pesticidas diminuiu nos últimos anos? Desengane-se: apesar das belas promessas e das provas de que são nocivos que se acumulam, o consumo de pesticidas continua a aumentar em praticamente todos os países da Europa, atingindo hoje em dia níveis históricos.

Com 78 000 toneladas pulverizadas nos seus campos agrícolas, a Espanha é a campeã da Europa de utilização de pesticidas, à frente da França (75 000 t), da Itália (64 000 t), da Alemanha (46 000 t) e da Polónia (23 000 t).

O impacto dos pesticidas no meio ambiente e na saúde

Nunca a Europa havia espalhado tantas moléculas tóxicas no seu solo, e as consequências começam a ser dramáticas.


Em primeiro lugar para o meio ambiente: a Europa gasta anualmente milhares de milhões de euros para tornar potável a água cada vez mais contaminada (1). Os pesticidas acumulam-se nos lençóis freáticos e perturbam o ciclo da vida em todas as suas fases (2), contribuindo plenamente para a 6ª extinção em massa que afecta actualmente o planeta. Os nossos cursos de água apresentam ainda concentrações de atrazina, uma molécula proibida desde 2003 e estima-se que será ainda preciso esperar quase 50 anos até que ela desapareça por completo (3)…


Depois para a nossa saúde, que é extremamente afectada. Durante muito tempo acreditou-se que a exposição crónica aos pesticidas, através dos alimentos que ingerimos e da água que bebemos, não tinha qualquer consequência; mas actualmente o bom senso voltou ao de cima.


Não há qualquer estudo que tenha conseguido determinar com clareza o impacto de uma tal exposição a tão longo prazo para a saúde, muito menos tendo em conta a sinergia de todos os pesticidas com que somos confrontados.


Primeiro porque existe um tempo de latência grande entre a exposição aos produtos e o surgimento das doenças (4), como no caso do tabaco e do amianto, na sua época. Depois, porque se trata de estudos dispendiosos que não trazem lucro a qualquer empresa. Assistimos, aliás, a estratégias de influência do lobby agro-industrial (5) que têm um ar de déjà-vu, mas que continuam a funcionar muito bem…


Temos, portanto, de nos basear nos muitos estudos de mais curta duração para tentar prever os efeitos suspeitos a longo prazo. É procedendo desta forma que o Centre international pour la Recherche sur le Cancer da OMS, alertado pelas desgraças cada vez mais numerosas que afectam os agricultores, conseguiu classificar como prováveis cancerígenos (grupo 2A) ou possíveis cancerígenos (grupo 2B) inúmeros herbicidas e insecticidas utilizados em grandes quantidades na Europa e nos Estados-Unidos (6).


Como actuam os pesticidas no organismo?

Um dos mecanismos de acção susceptíveis de explicar este carácter cancerígeno envolve o stress oxidativo – uma vez no organismo, os pesticidas potenciariam a produção de espécies reactivas (7) capazes de desnaturar o ADN das células reduzindo o sistema antioxidante que contribui para as neutralizar (8). Trata-se do mesmo desequilíbrio que seria responsável pelas perturbações da gravidez agora bem identificadas (9) tais como a mortalidade dos embriões, o aborto prematuro, a mortalidade fetal, as malformações fetais, os nascimentos prematuros (que aumentam constantemente), o baixo peso à nascença (10-11), mas também o desenvolvimento de cancros (12) e de doenças neurodegenerativas (13).


E este efeito cancerígeno não está apenas reservado aos agricultores! Verifica-se também quando os pesticidas são ingeridos por meio dos alimentos contaminados. Também neste caso, vários estudos mostraram que não se trata de uma lenda: encontram-se níveis inquietantes de glifosato (o pesticida abundantemente utilizado pelos agricultores e que será proibido na Europa em 2023) bem como de alguns dos seus metabolitos na urina de pessoas que não manipulam este produto no dia-a-dia (14), tanto na Europa como nos Estados Unidos. Alguns investigadores conseguiram mesmo comparar os níveis deste pesticida em 1996 e em 2016 numa centena de indivíduos. Os resultados? Uma subida de cerca de 1200% em 20 anos (15) (de 0,024 μg/L para 0,314 μg/L).


Estudos realizados com animais mostraram também que uma exposição crónica a concentrações muito fracas de glifosato levaria a danos hepáticos graves, contribuindo nomeadamente para aumentar o risco de esteatohepatite não alcoólica (NASH) (16), que – por casualidade ou não – regista actualmente uma progressão incrível no ser humano. Por outro lado, sabe-se muito pouco sobre a exposição cutânea a longo prazo que afecta principalmente quem reside próximo das zonas de aplicação do produto. Mas também neste caso, o dossier parece seguir um caminho semelhante ao do amianto (17)…


Como é evidente, os pesticidas classificados recentemente como sendo cancerígenos arriscam-se a ser proibidos nos próximos anos (será esse, em princípio, o caso do glifosato na Europa), mas tudo leva a crer que eles serão substituídos por outros produtos cuja nocividade terá de ser novamente demonstrada…


Infelizmente, o percurso clássico de um pesticida é desconhecido:


  • Um produto A é lançado no mercado.
  • Suspeita-se que o produto A seja cancerígeno.
  • O produto A acumula-se nos solos, nos cursos de água e nos organismos vivos.
  • Passam-se décadas até que um número suficiente de estudos dê o alerta.
  • O produto A beneficia de uma autorização temporária antes de ser progressivamente proibido.
  • O produto A é substituído por um produto B susceptível de seguir o mesmo percurso.

Que fazer para se proteger dos pesticidas?

Tudo indica que é preciso agir com rapidez antes que uma crise ecológica ou de saúde acabe por nos obrigar a isso.


À escala da sociedade, é urgente começar a fazer escolhas corajosas: o verdadeiro poder da mudança não reside nas mãos dos actores principais, mas sim nas nossas próprias mãos. Escolher alimentos provenientes de agricultura biológica é incitar os agricultores e os criadores de gado a abandonar um sistema aberrante e tóxico, mas também incitá-los a converter-se a métodos de produção duradouros e saudáveis. E, evidentemente, é também a melhor forma de minimizar a ingestão de pesticidas pelo organismo…


À escala individual, é igualmente urgente aumentar as nossas hipóteses de escapar aos cancros e ao conjunto de doenças ligadas ao stress oxidativo. Para tal, existem dois métodos compatíveis e amplamente documentados: aumentar o consumo de frutas e legumes (biológicos, evidentemente) e recorrer a suplementos antioxidantes.


Estudos in vitro e in vivo mostram que os nutrientes antioxidantes podem reduzir os danos infligidos pelas espécies reactivas dos pesticidas. Proporcionam uma verdadeira protecção quando o stress oxidativo atinge níveis anormalmente elevados (18), o que acontece em caso de exposição crónica a pesticidas (19), mas também em caso de stress crónico, má alimentação ou má qualidade do sono. Fixámos vários suplementos antioxidantes que proporcionaram satisfação durante estudos realizados especificamente sobre o stress oxidativo ligado aos poluentes ambientais:

  • A melanina do chá (20) (por via oral durante 14 dias)
  • A curcumina e a quercetina (21) (por via oral durante 60 dias)
  • A vitamina A, vitamina E e vitamina C (22-23) (por via oral durante 30 dias)
  • O resveratrol (24) (por via subcutânea durante 5 dias)
  • Os flavonóides (25) (estudo in vitro durante 6 horas)

Algumas fórmulas como AntiOxidant Synergy contêm vários destes antioxidantes, além de outros compostos naturais reputados como os extractos de grainhas de uva ou o galato de epigalocatequina do chá verde. Não se destinam unicamente a combater os malefícios dos pesticidas dado que visam também reduzir as espécies reactivas produzidas pelo stress, a poluição, o fumo do tabaco, a má alimentação, o álcool, os raios UV do sol, etc.


Estamos cada vez mais expostos aos pesticidas, mas a maioria das pessoas não tem consciência de que os absorve na sua alimentação…” lamentava recentemente Paul Mills, um dos investigadores que se dedica a estudar o teor em glifosato no nosso organismo. Ele pode ficar descansado: agora você já está informado…

Referências:

  1. Bommelaer Olivier, « Le coût des pollutions agricoles », Pour, 2012/1 (N° 213), p. 61-64. DOI : 10.3917/pour.213.0061. URL : https://www.cairn.info/revue-pour-2012-1-page-61.htm
  2. Schott Céline, Billen Gilles, « Agriculture et qualité des eaux dans le bassin de la Seine : une résistible dégradation ? », Pour, 2012/1 (N° 213), p. 45-52. DOI : 10.3917/pour.213.0045. URL : https://www.cairn.info/revue-pour-2012-1-page-45.htm
  3. Veillerette François, « Pesticides chimiques : quels enjeux pour la gestion de l'eau ? », Pour, 2012/1 (N° 213), p. 75-82. DOI : 10.3917/pour.213.0075. URL : https://www.cairn.info/revue-pour-2012-1-page-75.htm
  4. Dominique Desbois, « Exposition aux pesticides : de l’insuffisance des statistiques de santé publique aux promesses des applications mobiles de santé », Terminal [En ligne], 120 | 2017, mis en ligne le 17 mai 2017, consulté le 22 mai 2018. URL : http://journals.openedition.org/terminal/1657 ; DOI : 10.4000/terminal.1657
  5. Foucart, S. (2017). Ce que les « Monsanto Papers » révèlent du Roundup. Le Monde, 18 mars.
  6. Guyton, K.Z. et al. (2015). Carcinogenicity of tetrachlorvinphos, parathion, malathion, diazinon, and glyphosate. The Lancet Oncology 16(5): 490-491.
  7. Wells, P.G., McCallum, G.P., Chen, C.S., Henderson, J.T., Lee, C.J., Perstin, J., Preston, T.J., Wiley, M.J., and Wong, A.W. Oxidative stress in developmental origins of disease: teratogenesis, neurodevelopmental deficits, and cancer. Toxicol. Sci. 2009; 108: 14–18
  8. Ciftci O, Ozdemir I, Tanyildizi S, Yildiz S, Oguzturk H. Antioxidative effects of curcumin, β-myrcene and 1,8-cineole against 2,3,7,8-tetrachlorodibenzo-p-dioxin-induced oxidative stress in rats liver. Toxicology and Industrial Health. 2011;27(5):447–453.
  9. Al-Gubory, KH Environmental pollutants and lifestyle factors induce oxidative stress and poor prenatal development. Reproductive BioMedicine Online (2014), http://dx.doi.org/10.1016/j.rbmo.2014.03.002
  10. Agarwal, A., Aponte-Mellado, A., Premkumar, B.J., Shaman, A., and Gupta, S. The effects of oxidative stress on female reproduction: a review. Reprod. Biol. Endocrinol. 2012; 10: 49
  11. Al-Gubory, K.H. and Garrel, C. Antioxidative signalling pathways regulate the level of reactive oxygen species at the endometrial-extraembryonic membranes interface during early pregnancy. Int. J. Biochem. Cell Biol. 2012; 44: 1511–1518
  12. Bassil K.L., Vakil C., Sanborn M., Cole D.C., Kaur J.S., Kerr K.J., 2007. Cancer health effects of pesticides, Canadian Family Physician 53.10, p. 1704-1711.
  13. Mostafalou S., Abdollahi M., 2013. Pesticides and Human Chronic Diseases : Evidences, Mechanisms, and Perspectives. Toxicology and Applied Pharmacology 268.2, p. 157-177.
  14. Niemann L, Sieke C, Pfeil R, Solecki R. A critical review of glyphosate findings in human urine samples and comparison with the exposure of operators and consumers.J Fur Verbraucherschutz Leb. 2015;10:3-10. https://link.springer.com /article/10.1007/s00003-014-0927-3. Accessed September 13, 2017.
  15. Mills PJ, Kania-Korwel I et al. Excretion of the Herbicide Glyphosate in Older Adults Between 1993 and 2016, JAMA October 24/31, 2017 Volume 318, Number 16
  16. Mesnage R, Renney G, Séralini GE, Ward M, Antoniou MN. Multiomics reveal nonalcoholic fatty liver disease in rats following chronic exposure to an ultra-low dose of Roundup herbicide. Sci Rep. 2017;7:39328.
  17. « La stratégie criminelle des industriels de l’amiante », P. Herman et A. Thébaud-Mony, Le Monde diplomatique, juin 2000, pp. 20-21.
  18. Cutler RG, Mattson MP. Measuring oxidative stress and interpreting its relevance in humans. In: Cutler RG, Rodriguez H, editors. Oxidative Stress and Aging. River Edge, NJ, USA: World Scientific; 2003.
  19. Poljšak B., Fink R. The Protective Role of Antioxidants in the Defence against ROS/RNS-Mediated Environmental Pollution, Oxid Med Cell Longev. 2014; 2014: 671539.
  20. Hung Y, Huang GS, Sava VM, Blagodarsky VA, Hong M. Protective effects of tea melanin against 2,3,7,8-tetrachlorodibenzo-p-dioxin-induced toxicity: antioxidant activity and aryl hydrocarbon receptor suppressive effect. Biological and Pharmaceutical Bulletin. 2006;29(11):2284–2291.
  21. Ciftci O, Ozdemir I, Tanyildizi S, Yildiz S, Oguzturk H. Antioxidative effects of curcumin, β-myrcene and 1,8-cineole against 2,3,7,8-tetrachlorodibenzo-p-dioxin-induced oxidative stress in rats liver. Toxicology and Industrial Health. 2011;27(5):447–453.
  22. Murugesan P, Muthusamy T, Balasubramanian K, Arunakaran J. Studies on the protective role of vitamin C and E against polychlorinated biphenyl (Aroclor 1254)—induced oxidative damage in Leydig cells. Free Radical Research. 2005;39(11):1259–1272.
  23. Sridevi N, Venkataraman P, Senthilkumar K, Krishnamoorthy G, Arunakaran J. Oxidative stress modulates membrane bound ATPases in brain regions of PCB (Aroclor 1254) exposed rats: protective role of α-tocopherol. Biomedicine and Pharmacotherapy. 2007;61(7):435–440.
  24. Ishida T, Takeda T, Koga T, et al. Attenuation of 2,3,7,8-tetrachlorodibenzo-p-dioxin toxicity by resveratrol: a comparative study with different routes of administration. Biological and Pharmaceutical Bulletin. 2009;32(5):876–881.
  25. Ramadass P, Meerarani P, Toborek M, Robertson LW, Hennig B. Dietary flavonoids modulate PCB-induced oxidative stress, CYP1A1 induction, and AhR-DNA binding activity in vascular endothelial cells. Toxicological Sciences. 2003;76(1):212–219.
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