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27-12-2016

A fosfatase alcalina intestinal, uma enzima protectora potente

fosfatase alcalina O aparelho digestivo é um sistema complexo que continua a revelar diariamente novos segredos. Nos últimos vinte anos as investigações multiplicaram-se para compreender melhor o seu funcionamento. No fim dos anos 1990, alguns investigadores sugeriram nomeadamente a presença de um “segundo cérebro” no ventre. Esta expressão deve-se a Michael Gershon, que foi o primeiro e elaborar a hipótese de um sistema nervoso autónomo ao nível do aparelho digestivo1. Os últimos anos foram também marcados por descobertas importantes sobre o microbiota intestinal. Este último constitui um conjunto de microrganismos aos quais se atribui um papel importante nas funções neurológica, digestiva e imunitária. É por essa razão que inúmeros investigadores se interessam pelos mecanismos que influenciam o equilíbrio do microbiota intestinal. Conhecida há bastante tempo, uma enzima intestinal revelou assim desempenhar um papel crucial na manutenção da homeostasia intestinal. É esta a conclusão de vários trabalhos sobre as funções da fosfatase alcalina intestinal – uma enzima cujas funções exactas não eram conhecidas até então2. Controlar a actividade da fosfatase alcalina intestinal poderia assim revelar-se interessante na prevenção ou no tratamento de determinadas doenças.

A fosfatase alcalina intestinal – uma enzima específica mal conhecida

A fosfatase alcalina intestinal faz parte da grande família das fosfatases alcalinas. Estas são enzimas presentes em inúmeros organismos vivos. No corpo humano as fosfatases alcalinas estão presentes em diferentes formas e em diferentes locais. Uma publicação apresentada na revista científica Indian Journal of Clinical Biochemistry proporciona uma panorâmica global desta família de enzimas no Homem3. De entre as fosfatases alcalinas humanas, os autores do estudo distinguem quatro isoenzimas, ou seja, quatro enzimas que realizam a mesma reacção química, mas que não possuem uma estrutura química idêntica. Estas quatro isoenzimas são a fosfatase alcalina intestinal, a fosfatase alcalina placentária, a fosfatase alcalina germinal e a fosfatase alcalina dita não específica de tecidos – que encontramos ao nível do fígado, dos ossos e dos rins. Cada uma ao seu nível, estas enzimas têm a capacidade de hidrolizar as ligações fosfoéster, ou seja, de romper as ligações entre um fosfato e um grupo hidróxilo de uma molécula, por acção de uma molécula de água. Embora a finalidade desta reacção química não seja ainda totalmente clara, são atribuídos papéis chave às fosfatases alcalinas. Presentes ao nível de vários órgãos essenciais do organismo, estas enzimas poderiam estar envolvidas em inúmeras funções. É esse nomeadamente o caso da fosfatase alcalina intestinal, que revelou desempenhar papéis diferentes ao nível do sistema digestivo.

O papel protector da fosfatase alcalina intestinal no sistema digestivo

Estudos recentes permitiram evidenciar determinados mecanismos de acção da fosfatase alcalina intestinal. Estes trabalhos foram objecto de publicações em várias revistas científicas, como a revista Nutrition Reviews e a revista World Journal of Gastroenterology2,4. Estes estudos mostraram que a fosfatase alcalina intestinal estaria envolvida na protecção do sistema digestivo. Com efeito, esta enzima estaria envolvida nomeadamente na absorção dos lípidos, na regulação do pH intestinal e na desintoxicação dos intestinos. Graças à sua acção, a fosfatase alcalina intestinal poderia assim ajudar o organismo a proteger-se contra a afecção de determinados agentes patogénicos. Isso explica-se pelo mecanismo de acção da enzima, que tem a capacidade de desfosforilar certos constituintes microbianos tóxicos. Esta desfosforilação permite desactivar determinadas estruturas como os lipopolissacáridos, os nucleótidos livres ou ainda as proteínas específicas das bactérias como a flagelina. A fosfatase alcalina intestinal está deste modo envolvida na defesa do organismo, limitando determinadas afecções inflamatórias.

A acção da fosfatase alcalina intestinal na homeostasia intestinal

Além do papel protector da fosfatase alcalina intestinal, esta estaria também envolvida na manutenção da homeostasia do microbiota intestinal. O equilíbrio do microbiota é extremamente importante; inúmeros estudos confirmaram o papel da flora intestinal na digestão e na defesa do organismo. Em 2010 foi publicado na revista da especialidade Gut um estudo que se centrava na relação potencial entre a fosfatase alcalina intestinal e a flora intestinal5. Os investigadores estudaram a acção desta enzima em ratinhos que possuíam uma flora intestinal alterada por infecção causada por bactérias patogénicas. Para isso, os ratinhos haviam tomado um suplemento em fosfatase alcalina intestinal após um tratamento antibacteriano. Os resultados deste estudo são muito motivadores pois a toma do suplemento de fosfatase alcalina intestinal por via oral evidenciou um efeito positivo no crescimento das bactérias que constituíam a flora intestinal. Enquanto esperamos por estudos complementares sobre o interesse da toma de um suplemento de fosfatase alcalina intestinal no ser humano, estes resultados confirmam o papel desta enzima na homeostasia intestinal. Trata-se de uma enzima que se poderia revelar particularmente interessante para manter ou restabelecer o equilíbrio da flora intestinal face a agressões exteriores.

O interesse preventivo e terapêutico da fosfatase alcalina intestinal

Tendo em conta o efeito protector da fosfatase alcalina intestinal e o papel chave que desempenha na homeostasia intestinal, esta enzima é extremamente interessante na prevenção de determinadas afecções digestivas e de certas doenças inflamatórias. Adicionalmente, esta enzima suscita o interesse da comunidade científica para o tratamento de certas doenças inflamatórias crónicas. Foram já realizados testes com a administração de fosfatase alcalina intestinal em determinados pacientes. A toma deste suplemento revelou efeitos benéficos contra a colite ulcerosa, a sépsis ou ainda aquando de cirurgias como o bypass coronário4. Estão actualmente em curso estudos complementares e ensaios clínicos para confirmar os benefícios da fosfatase alcalina intestinal. Estes primeiros resultados abrem inúmeras perspectivas para a toma de suplementos de fosfatase alcalina intestinal com fins preventivos ou curativos.

Uma correlação possível entre a fosfatase alcalina intestinal e a diabetes de tipo 2

Além de apresentar um interesse terapêutico para determinadas doenças inflamatórias crónicas, a fosfatase alcalina intestinal poderia revelar-se interessante na prevenção de determinados distúrbios metabólicos. Esta é a conclusão de um estudo recente publicado na revista EBioMedecine, que evidencia uma correlação entre o índice de fosfatase alcalina intestinal e a diabetes de tipo 26. Os autores do estudo basearam-se em trabalhos anteriores que revelavam que ratinhos que haviam desenvolvido uma diabetes de tipo 2 apresentavam um índice baixo de fosfatase alcalina intestinal. Para confirmar esta análise, os investigadores elaboraram testes para avaliar o índice desta enzima em 202 pacientes diabéticos e em 445 pacientes não diabéticos. Estes testes revelaram que os sujeitos diabéticos apresentavam uma concentração em fosfatase alcalina intestinal duas vezes mais baixa do que os sujeitos saudáveis. Este estudo sugere que uma escassez desta enzima poderia estar associada ao desenvolvimento de determinados distúrbios da síndrome metabólica. É necessário realizar estudos complementares para estudar o interesse da toma de um suplemento para limitar estes distúrbios metabólicos.

A fosfatase alcalina intestinal – uma enzima sensível à alimentação

Se é verdade que as funções da fosfatase alcalina intestinal tendem a ser mais bem compreendidas pelos investigadores, também é verdade que estes constataram que esta enzima está por vezes alterada no nosso organismo. Esta alteração deve-se nomeadamente a determinados compostos presentes na nossa alimentação, como a L-fenilalanina. Segundo os resultados de um estudo publicado na revista Biochemical Journal7 este composto poderia inibir a fosfatase alcalina intestinal. Apesar de a L-fenilalanina ser essencial para determinadas funções do organismo, a sua presença em grande quantidade no sistema digestivo poderia ter efeitos nefastos, bloqueando a actividade benéfica da fosfatase alcalina intestinal. Contrariamente ao que se verifica com a L-fenilalanina, outros compostos da nossa alimentação poderiam modular a actividade da fosfatase alcalina intestinal8. Seria o caso de determinados lípidos, glúcidos e proteínas. É por esta razão que estão actualmente em curso estudos para compreender melhor os efeitos da nossa alimentação na fosfatase alcalina intestinal.

Na direcção de uma suplementação em fosfatase alcalina intestinal?

Os primeiros resultados sobre a fosfatase alcalina intestinal levam a pensar que a toma de um suplemento com esta enzima poderia revelar-se interessante na prevenção ou no tratamento de várias doenças. Alguns compostos poderiam também revelar-se benéficos para aumentar os índices de fosfatase alcalina intestinal. Isto lembra, aliás, resultados semelhantes obtidos com outras fosfatases alcalinas, nomeadamente as presentes ao nível do fígado e dos ossos. Com efeito, alguns complementos alimentares revelaram-se eficazes para manter ou restabelecer os índices de fosfatase alcalina. É o caso, por exemplo, do Robuvit®, um extracto de carvalho francês, que evidenciou resultados positivos para normalizar os índices de fosfatase alcalina ao nível do fígado9, 10

A importância do microbiota intestinal reposta em evidência

Nos inúmeros estudos sobre a fosfatase alcalina intestinal os investigadores lembram igualmente a importância da manutenção do equilíbrio do microbiota intestinal. Se é verdade que a toma de um suplemento de fosfatase alcalina intestinal se poderia revelar benéfica, existem já outras soluções disponíveis no mercado para manter ou restabelecer o microbiota intestinal. É, por exemplo, o caso dos probióticos – microrganismos que, quando ingeridos em quantidades adequadas, têm efeitos benéficos para a saúde. São conhecidos, nomeadamente, pelos seus efeitos benéficos ao nível dos intestinos, como o resume o nosso artigo “Uma bomba nos seus intestinos”. Para tirar o melhor partido dos seus benefícios, os probióticos são propostos em várias fórmulas de complementos alimentares.


Fontes:
1. Gershon M. « The Second Brain: A Groundbreaking New Understanding of Nervous Disorders of the Stomach and Intestine », Harper Paperbacks, 1999.
2. Lallès JP, « Intestinal alkaline phosphatase: novel functions and protective effects », Nutr Rev, 2014 Feb, 72(2) : 82-94.
3. Sharma U, Pal D, Prasad R, « Alkaline phosphatase: an overview », Indian J Clin Biochem, 2014 Jul, 29(3) : 269-78.
4. Estaki M, DeCoffe D, Gibson DL, « Interplay between intestinal alkaline phosphatase, diet, gut microbes and immunity », World J Gastroenterol, 2014 Nov 14, 20(42) : 15650-6.
5. Malo MS, Alam SN, Mostafa G, Zeller SJ, Johnson PV, Mohammad N, Chen KT, Moss AK, Ramasamy S, Faruqui A, Hodin S, Malo PS, Ebrahimi F, Biswas B, Narisawa S, Millán JL, Warren HS, Kaplan JB, Kitts CL, Hohmann EL, Hodin RA, « Intestinal alkaline phosphatase preserves the normal homeostasis of gut microbiota », Gut, 2010 Nov, 59(11) : 1476-84.
6. Malo MS, « A High Level of Intestinal Alkaline Phosphatase Is Protective Against Type 2 Diabetes Mellitus Irrespective of Obesity », EBioMedicine, 2015 Dec 1, 2(12) : 2016-23.
7. H N Fernley, P G Walker, « Inhibition of alkaline phosphatase by L-phenylalanine », Biochem J, 1970 Feb, 116(3) : 543–544.
8. Lallès JP, « Intestinal alkaline phosphatase: multiple biological roles in maintenance of intestinal homeostasis and modulation by diet », Nutr Rev, 2010 Jun, 68(6) : 323-32.
9. Belcaro G, Gizzi G, Hu S, Dugall M, Pellegrini L, Cornelli U, Cesarone MR, Trignani M, Maione C, « Robuvit® (French oak wood extract) in the management of functional, temporary hepatic damage. A registry, pilot study. », Minerva Med, 2014 Feb, 105(1):41-50.
10. Pellegrini L, Belcaro G, Dugall M, Corsi M, Luzzi R, Hosoi M, « Supplementary management of functional, temporary alcoholic hepatic damage with Robuvit® (French oak wood extract). », Minerva Gastroenterol Dietol, 2016 Mar 3.
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